sábado, 16 de setembro de 2017

Descer À Terra Num Choque de Realidades

Num início de época em que os números impressionavam, o FUTEBOL CLUBE DO PORTO mostrou a sua pior face, logo na estreia europeia. Numa derrota inesperada e que pode hipotecar a passagem dos azuis e brancos aos oitavos, da LIGA DOS CAMPEÕES a confiança virou desconfiança e a ilusão bateu de frente com a realidade.
                                    

5 vitórias em 5 jogos, 12 golos marcados e 0 sofridos era o registo deste FC PORTO até ao momento na presente época. Perante estes números, o DRAGÃO vestiu-se de gala para a receção ao BESIKTAS JK, na estreia na “liga milionária e o objetivo era claro: conquistar os três pontos contra a, teoricamente, equipa mais acessível do grupo. Pois bem...

RICARDO pereira e tiquinho SOARES foram as novidades de sérgio CONCEIÇÃO para a partida frente aos turcos, utilizando o sistema habitual, ou seja, o 4-4-2, com SOARES e moussa MAREGA na frente, DANILO pereira e ÓLIVER torres como médios centrais, atuando jesús CORONA e yacine BRAHIMI pelas alas. Enquanto isso, senol GÜNES apresentou um onze sem um ponta de lança declarado, preferindo preencher a zona do meio campo e começando aí a colocar as primeiras dificuldades aos azuis e brancos. Perante um meio campo, como referi, com dois homens na zona central (DANILO e ÓLIVER), o BESIKTAS apresentou 3 homens e meio, (atiba HUTCHINSON, anderson TALISCA e oguzhan OZIAKUP, mais o “falso 9” cenk TOSUN) conseguindo, não só ter a posse de bola nessa zona, como a conseguia fazer girar à vontade por todo o campo. Destaque ainda, para a inexistente pressão que o FC PORTO incutiu ao jogo, juntando a isso as lentas recuperções defensivas.

Assim sendo, pela primeira vez esta época, o FC PORTO encontrou um adversário que quis jogar, em detrimento de apenas anular o nosso jogo e nesse confronto tático o BESIKTAS foi mais forte. BRAHIMI e CORONA eram quase sempre os destinatários para as jogadas de perigo e embora os turcos deixassem bastante espaço na zona intermédia do terreno, a definição das jogadas raramente era a mais acertada. Do outro lado e, perto do quarto de hora, de passe em passe a bola chegou aos pé de ricardo QUARESMA que sem meias medidas deu a TALISCA a possibilidade de bater iker CASILLAS e fazer o 0-1. No entanto, e oito minutos depois, numa altura em que BRAHIMI já ocupava a zona central, em troca com ÓLIVER, que já tinha acertado no poste, o FC PORTO acaba por empatar, num auto-golo do servio dusko TOSUN.

Esperando que o golo desse o click para os dragões serem mais afoitos, principalmente na recuperação da bola, é TOSUN, o efeito surpresa na zona central que, aproveitando a tal apatia portista, dá nova vantagem às águias negras, num grande golo mas, em que CASILLAS fica um pouco mal na fotografia.

Ao intervalo, CONCEIÇÃO retirou CORONA (simplesmente não esteve em campo) e ÓLIVER, este estranhamente, e tentou preencher o meio campo com as entradas de ANDRÉ ANDRÉ e de OTÁVIO passando a jogar em 4-3-3 (DANILO-ANDRÉ-OTÁVIO e MAREGA-BRAHIMI-SOARES). E se a princípio resultou, a pressão foi mais eficaz e o FC PORTO teve o seu melhor momento com bola, a eficácia desaparecia nos momentos de decidir perto da área adversária (destaque ainda assim para uma assistência de BRAHIMI para SOARES obrigar FABRI à defesa da noite). Respondendo, e perante a subida do FC PORTO, o técnico turco mexe no meio campo com o intuito de fechar a partida. Nesse sentido, retira OZYAKUP, o mais exterior dos 3 médios e coloca gary MEDEL.

Num momento em que, ofensivamente, o FC PORTO era apenas BRAHIMI (!!!) e em que CONCEIÇÃO voltara ao 4-4-2 (HERNÂNI substituiu DANILO) ryan BABEL acabou por matar o jogo, numa jogada em que o BESIKTAS fez da bola o que quis. O golo, terceiro encaixado por CASILLAS, fez com que várias cadeiras do DRAGÃO ficassem vazias, e que o som dos cânticos das claques colidissem com alguns assobios numa imagem muito vista em épocas recentes.

Após 2 meses de euforia, e no primeiro jogo duma realidade diferente da habitual, percebe-se que o FC PORTO também tem falhas (sempre as teve), e que está longe da estabilidade exibicional. Quanto a CONCEIÇÃO, acreditamos que sempre teve os pés assentes na terra onde os adeptos aterraram agora, e confiamos, por isso, que os erros também por ele cometidos neste jogo, possam ser corrigidos. E acreditando que ainda é bem possível lutarmos por um dos lugares de acesso aos oitavos da champions a nossa LIGA DOS CAMPEÕES segue domingo, em Vila do Conde.

DESTAQUES:

IN

BRAHIMI
Perdeu bolas, errou passes, mas foi, durante os 90 minutos a principal dor de cabeça para os turcos.

PEPE – QUARESMA
Dois “regressos” que saudámos, e que, no momento certo, nos deram o devido destaque.

RESISTENTES
Apesar das cadeiras vazias, ao sexto jogo oficial, houve quem quisesse fazer parte da preparação para o jogo frente ao RIO AVE. O apoio no final do encontro é um bom sinal. 

OUT

CORONA
A exibição foi pobre, mas o mexicano foi uma nulidade.

ADEPTOS DE CONVENIÊNCIA
Deixar o lugar e abandonar o estádio a 10 minutos do fim não me espanta. Aplaudir mais os adversários que a própria equipa para mim já é estranho.

ANTHONY TAYLOR
Permissivo numas vezes, rigoroso noutras nunca se entendeu com o jogo. A competição merecia melhor.

por Fábio Daniel Ferreira,
Muralha Azul.

domingo, 10 de setembro de 2017

O Melhor Arranque dos Últimos 5 anos

A receção ao GD Chaves deu o mote ao melhor arranque de campeonato do FC Porto dos últimos 5 anos com destaque para novo jogo sem sofrer golos. Ao cabo de 5 jornadas, são já 12 os golos marcados e 0 sofridos, fazendo dos Portistas a única equipa que mantém as suas redes invioláveis neste campeonato.

Sérgio Conceição surpreendeu ao lançar no 11 inicial Layún no lugar de Ricardo Pereira, e o mexicano não conseguiu fazer esquecer a ausência do português. 

O primeiro tempo foi bastante equilibrado, resltando, nesse sentido, em poucas oportunidades de golo. As únicas dignas de registo pertenceram ao FC Porto, protagonizadas por Brahimi e Danilo.

A equipa transmontana defendia com qualidade e bloqueava o jogo do FC Porto que, sem espaços, encontrava grandes dificuldades para criar perigo. A isso juntava ainda critério no seu momento ofensivo chegando a apanhar o FC Porto em inferioridade numérica, fruto dos homens que os azuis e brancos colocavam no meio campo adversário para construir o seu jogo.

A pouca produtividade dos 45 min iniciais dos comandados por Sérgio pode explicar-se pelo baixo rendimento de alguns dos seus atletas, ora por mérito do adversário, que não deixando espaço nas entrelinhas anulou um Aboubakar que precisa de espaço para recuar e vir buscar jogo, mas também pela desinspiração de alguns atletas. A asa direita do FC Porto é o exemplo disso mesmo com um Corona a quem tudo saía mal (tendo sido substituído ao intervalo) e um Layún que não lhe ficou muito atrás, onde lhe faltou essencialmente o fulgor ofensivo. Perante a importância que têm as alas no jogo de Sérgio Conceição e só com uma delas a funcionar, juntando uma equipa que defendia bem, eram naturais as dificuldades dos Portistas.

Ia-se destacando Brahimi que dava outro perfume ao jogo azul e branco. Nos primeiros 35 minutos, o argelino registou três dribles eficazes em quatro tentativas, contabilizando ainda 93% de passes certos.

No segundo tempo o espetáculo melhorou. Aumentaram as oportunidades para ambos os lados, mas foi o FC Porto a sorrir.

Os Dragões entraram praticamente a vencer no segundo tempo, com Aboubakar a beneficiar do espaço que lhe faltara na primeira parte e a inaugurar o marcador.

O FC Porto viria ainda a fazer mais 2 golos, não sem antes beneficiar do desacerto flaviense que, isolados por duas vezes na cara de Casillas mandaram para fora. A equipa da casa não foi na mesma onda e aproveitou as oportunidades criadas. Soares a regressar da melhor forma ampliando de penalti e Marega a fechar a contagem num golo que coroou um jogo de raça do Maliano.

O segundo tempo foi em muito diferente do primeiro, com o FC Porto a beneficiar das mexidas do seu treinador. Com Marega no lugar de Corona, e Soares na companhia a Abou, ganhamos velocidade e metros junto da área adversária, fruto da força e insistência de Marega que ia galgando metros e faltas como podia. A isto juntou-se ainda, de novo, a boa leitura de jogo de Sérgio Conceição que, tal como havia acontecido em Braga, fez entrar André e Otávio e adotou o 4-3-3. Assim, povoou o meio-campo e a encurtou os espaços que eram aproveitados pelo flavienses após o 1º golo sofrido.



Venceu a melhor equipa que embora num jogo em que sentiu dificuldades conseguiu despachar os visitantes com 3 golos sem resposta.

Destaques

IN 

Marega - MVP da partida. Foi no segundo tempo, com a alteração de posição que mais se destacou. As suas limitações são evidentes, mas a força e raça que demonstrou foram foram superiores aos seus pontos fracos. De tal forma que deu muito mais ao jogo do que o tecnicista Corona. Deu velocidade, abriu espaços e marcou.

Oliver - Para além da assistência açucarada para Marega, o médio fez ainda dois passes para finalização, tentou seis cruzamentos (um eficaz), acertou 86% dos passes (nove em dez longos) e ainda recuperou sete vezes a bola e realizou quatro desarmes. Cada vez mais o maestro desta equipa.

OUT

Corona - Apareceu pouco em jogo e das poucas vezes que o fez foi para perder bolas. Já o tinha dito em post's passados: Corona é daqueles que faz 1 bom jogo e logo de seguida dois ou três em que passa completamente ao lado. Ontem foi exemplo disso, depois de em Braga se ter exibido em bom plano.

Layún - Não foi noite para os mexicanos que estiveram em campo. Layún saltou para o 11 mas não me pareceu ter conseguido aproveitar a confiança dada pelo treinador. Não ofereceu profundidade e foi muito perdulário no capítulo defensivo. Teima a não vir ao de cima o Layún da primeira época de Dragão ao peito. 

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Sorrir em Braga 2 Anos Depois

O FC Porto foi à cidade dos arcebispos naquele que foi o jogo da quarta jornada para os comandados de Sérgio Conceição.

Para alguns este era o primeiro grande teste para os portistas porque, segundo eles, ainda não nos tínhamos deparado com uma equipa que tivesse argumentos para oferecer reais dificuldades ao nosso jogo. Ora, se este era o teste que pediam, o aluno passou e mostrou que a matéria estava muito bem estudada.

Em traços gerais, o confronto entre Dragões e a equipa minhota foi um bom espetáculo de futebol: no primeiro tempo dentro das quatro linhas, no segundo no banco, protagonizado por Sérgio Conceição.

O FC Porto entrou forte no jogo e a querer ganhar depressa. A intensidade imposta pelos azuis e brancos não permitia aos bracarenses libertarem-se da teia montada pelos portistas. A pressionar alto e a imprimir velocidade ao seu jogo, os dragões causavam dificuldades e cedo chegaram ao golo numa jogada sublime de Corona que tira do seu caminho Sequeira e remata para o fundo das redes.

A ganhar mantivemos a toada ofensiva e, com isso, surgiram inúmeras oportunidades para dilatar a vantagem que encontrava em Matheus o único resistente ao jogo portista, impedindo que o resultado se avolumasse. Aos 20 minutos, os pupilos de Sérgio Conceição contabilizavam 69% de posse de bola.

Perante o domínio azul e branco, a equipa da casa procurava causar moça através do contra-ataque e ia dando boa réplica, favorecendo o espétaculo.

Se a primeira meia hora pertenceu ao FC Porto, os 15 minutos finais mostraram um Braga que procurava criar maior perigo. Porém, o acerto que continua a demonstrar a defesa portista permitiu anular as investidas minhotas que ia causando perigo a partir de remates fora da área ou em lances de bola parada, o que explica os 0 remates enquadrados com a baliza de Iker Casillas.

O FC Porto ia vencer para o intervalo pela margem mínima, resultado escasso para o que produziu tendo criado várias oportunidades para ampliar a vantagem.

Se o primeiro tempo teve o seu foco naquilo que era feito no campo, o segundo era no banco que se jogava bem, com Sérgio Conceição a marcar golos na forma como foi mexendo na equipa. O segundo tempo ainda começou como acabou o primeiro, com um Braga mais ameaçador, muito devido à dificuldade em aparecer em jogo de Otávio (que substituiu Corona). Contudo, aos poucos o FC Porto executava o que pedia o técnico e as alterações que se seguiram foram a confirmação e secaram o jogo bracarense. Primeiro foi André e, mais tarde, Herrera a juntarem-se a Otávio, e os portistas tomaram controlo do jogo. Ainda que sem tanto fulgor ofensivo, atacando com menos elementos - essencialmente devido ao facto de Marega ter descaído para extremo e das suas limitações em transportar jogo serem evidentes - ainda criamos mais 10 ocasiões de golo (menos 1 que na primeira parte). Ao contrário do nosso adversário que apenas criou 4 (contra 8 dos primeiros 45').

Sérgio Conceição mexeu bem e colocou em campo 2 joadores de combate como André e Herrera que se juntaram a Danilo fazendo um meio campo forte e robusto que anulava o Braga na sua fase de construção com Otávio a tentar servir Aboubakar nas suas funções de maior liberdade.

O resultado final fixou-se em 1 a 0, escasso para o futebol da equipa, mas suficiente para a conquista dos 3 pontos, fazendo o FC Porto sorrir em Braga 2 anos depois da última vitória na "Pedreira".

Destaques:

IN

Sérgio Conceição - Pela forma como mexeu e gelou o jogo da equipa adversária na fase em que esta se poderia tornar mais perigosa. Mais do meter homens para defender os ataques adversários, meteu-os para evitar que surgissem e conseguiu.

Brahimi - Para mim o melhor em campo dos portistas. Criou uma ocasião flagrante de golo, foi eficaz em oito dos 13 dribles que fez, venceu 15 dos 21 duelos que disputou e ainda sofreu cinco faltas.

Corona - Saiu ao intervalo tocado e amarelado, mas no primeiro tempo esteve bem a atacar e com boas anotações no auxilio dos colegas na defesa. Isto claro, para não falar no golo de belo efeito que deu a vitória portista.

Casillas - A sua veterania permite-lhe acumular titulos e recordes mas ontem, de dragão ao peito, arrecadou mais um: o seu melhor arranque de época. Confere na só a importância que tem na equipa, como a boa forma da defesa portista que continua sem sofrer qualquer golo neste início de época. 

OUT

Felipe - Um início de época trémulo para o central brasileiro. Ontem teve inúmeras decisões de risco que podiam comprometer a equipa. Atravessa uma fase que dá vontade de o sentar no banco para acalmar as paragens cerebrais que tem mostrado.

Faltinhas e mais faltinhas - Os jogos com o Braga de há uns anos a esta parte tornaram-se bem mais difíceis e para além da dificuldade é comum o constante jogo do bota abaixo dos seus jogadores. Ontem foi mais do mesmo, eram faltas e mais faltas para travar o jogo portista com a conivência do juiz da partida.

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

FC Porto - Moreirense: Fácil e Sem Grandes Correrias

Terceira jornada do campeonato, o regresso a casa. Depois de um jogo que colocou algumas dificuldades frente ao Tondela (que curiosamente perdeu esta jornada perante o Estoril) o Dragão recebeu em peso os seus jogadores com nova lotação esgotada.

O FC Porto bateu por 3 bolas a 0 a equipa de Moreira de Cónegos, num jogo que nem foi de "encher o olho" os portistas venceram tranquilamente, não sendo preciso jogar muito para vencer com facilidade.

Debaixo de um intenso calor, foi Aboubakar a brilhar, apontando todos os golos que derrotaram a equipa visitante. O jogo ficou marcado pela aparição no 11 titular de Maxi Pereira, que deixou a palpitar o coração daquelas que estranharam a ausência nos convocados de Ricardo Pereira. Espero encarecidamente que o motivo seja a "temperatura" com que acordou o português.

Os comandados de Sérgio Conceição partiram para uma primeira parte de bom nível onde não deram oportunidade ao Moreirense para respirar. Os primeiros 15 minutos são disso exemplo, onde os 84% de posse de bola e os quatro remates efetuados são bem esclarecedores acerca do domínio portista, ainda que com demasiada insistência em procurar cruzamentos para a área. Perante a ofensiva portista, foi com naturalidade que o FC Porto, aos 18 minutos, chegou à vantagem com um cabeceamento fulminante de Aboubakar. Com uma verdadeira movimentação à ponta-de-lança, o camaronês deixou pregado ao chão o seu marcador direto e correspondeu da melhor forma ao cruzamento de Alex Telles.


Estavam ainda alguns a sentarem-se nas suas cadeiras quando voltaram a saltar para festejar o golo portista, novamente apontado por Aboubakar, 3 minutos depois. O FC Porto dominava a seu belo proveito a equipa visitante que se limitava a ver jogar. Rápido e a não deixar sair o Moreirense para o ataque , a primeira parte do FC Porto fez-se quase sempre no meio-campo adversário. 

Neste sentido, foi com naturalidade que os azuis e brancos chegaram ao intervalo a vencer e a dominar em todos os capítulos do jogo, com Casillas a ser um mero espectador. O FC Porto contabilizava uns expressivos 75% de posse de bola e sete remates enquadrados, contra apenas um disparo à baliza por parte do adversário, segurado pelo guardião espanhol sem problema algum. A equipa de Sérgio Conceição aproveitava bem os espaços entre linhas, circulava a bola com critério e não concedia espaços ao seu opositor. Ainda que sem imprimir uma grande rotação fazia o que queria do seu jogo.

O segundo tempo não seguiu as pisadas do primeiro, e os Portistas regressaram dos balneários a jogar a um nível mais baixo e a gerir o seu jogo sem ter de se cansar muito, permitindo à equipa forasteira crescer na partida, não sendo, contudo, suficiente para incomodar o FC Porto, com Casillas a ter de fazer apenas duas intervenções de maior relevo. A equipa visitante teve 53% de posse de bola nos primeiros 15 minutos, período em que até fez mais passes do que os dragões (76-65).  Perante a pouca acutilância portista, Sérgio alterou as peças do seu xadrez que, mais do que fazer aumentar o rendimento dos seus pupilos, estancou por completo a audácia que foi permitindo ao adversário. 

A partir daí o FC Porto criou mais algumas oportunidades, com destaque para o terceiro golo de Aboubakar, apontando um hat-trick que o coloca no topo como um dos melhores marcadores do campeonato.

Destaques:

IN

Aboubakar - Dos três remates que enquadrou com a baliza, todos deram golo. Com um hat-trick o camaronês foi com naturalidade o homem do jogo. Aos três tentos, juntou ainda dois passes para finalização e venceu três dos seis duelos que disputou.

Alex Telles - Um jogo de mão cheia do lateral esquerdo brasileiro. Somou três passes para finalização, foi eficaz em seis dos seus 11 cruzamentos, falhou apenas três das suas 45 entregas, colocou a bola na área contrária 21 vezes e somou quatro desarmes.

Mar Azul - O primeiro jogo do campeonato ditou casa cheia, a deslocação a Tondela seguiu a tendência e no regresso nova enchente, com um ambiente incrível nas bancadas do Dragão. 

OUT

"Perder o gás" - O FC Porto do segundo tempo baixou consideravelmente o seu ritmo de jogo. Ainda que sem lhe ter causado problemas nunca gostamos quando vemos a nossa equipa cair exibicionalmente. A baixa de rendimento deveu-se sobretudo ao descansar à sombra de uma vantagem confortável à qual se juntava um adversário que não criava grande perigo.

Excessiva aposta nos cruzamentos - Se é verdade que o FC Porto apontou o primeiro golo em virtude de um cruzamento para a área, também não deixa de ser um facto aquela que considero ser a insistente necessidade em procurar as laterais para criar perigo. A espaços com o Tondela também se verificou e, ontem, nos primeiro minutos foi possível assistir ao mesmo. Podia ter-se aproveitado melhor o jogo interior e não canalizar com tanta frequência o futebol para o cruzamento.

Maxi - Ainda que tenha cumprido, já não oferece tudo o que é necessário. A velocidade já não é a mesma, a capacidade de reação idem. É um otímo suplente (ignorando o salário de titularíssimo que aufere) mas já não mais que isso.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Houve o Mimo Mesmo Sem Chocolate

Antes da partida de Tondela o presidente dos tondelenses tinha pedido “um mimo, um chocolate” aos seus jogadores. Pois bem, 90 minutos depois, o mimo veio para o FUTEBOL CLUBE DO PORTO em forma de três pontos. Guardando o “chocolate” para outra altura, o dragão não precisou de ser fantástico para ser melhor.

O FC PORTO apresentou-se em Tondela após a goleada do DRAGÃO e, num JOÃO CARDOSO de má memória, devido ao empate da época passada, o objetivo era simples: ganhar e somar mais um passo (positivo) na “preparação” de uma época que se vai adivinhando longa. Nessa perspetiva, SÉRGIO CONCEIÇÃO fez apenas uma alteração em relação ao jogo com o GD ESTORIL PRAIA, lançando moussa MAREGA para o lugar do lesionado “tiquinho” SOARES.

Com naturalidade, os azuis e brancos pegaram desde cedo nas despesas do encontro mesmo sem a intensidade habitual. PEPA, retirou PEDRO NUNO em relação ao último jogo e lançou BRUNO MONTEIRO para dar mais capacidade defensiva ao meio campo. Assim sendo, ÓLIVER torres foi alvo de uma pressão especial, que fez com que a ligação com o ataque, entregue a MAREGA e vincent ABOUBAKAR, fosse feita através dos extremos yacine BRAHIMI e jesús CORONA, com a subida dos respetivos laterais, alex TELLES e RICARDO pereira.

E é precisamente num momento em que o FC PORTO estava por cima, apesar de um TONDELA bem posicionado em campo, que na sequência dum remate de TELLES, ABOUBAKAR aproveitou para dar colorido ao marcador, um golo que apesar de regularíssimo teve honras de ser confirmado pelo vídeo-árbitro. Estava desbloqueado o jogo e consomada a estreia do camaronês a marcar na LIGA NOS.


No segundo tempo o FC PORTO continuou a controlar a partida em busca do golo que pudesse dar a tranquilidade, no entanto, ora por mérito da defesa equipa da casa, ora pela ineficácia do ataque azul e branco (ABOUBAAR ainda acertou no poste) a vantagem mínima e a esperança da equipa de PEPA persistiam, chamando para o jogo o FC PORTO de combate. CONCEIÇÃO retirou um cada vez mais recuado ÓLIVER e colocou héctor HERRERA mas, mesmo assim, numa fase em que o TONDELA procurava com mais insistência a área de iker CASILLAS, teve que recorrer a ANDRÉ ANDRÉ e miguel LAYÚN (em trocas por “ABOUBA” e CORONA) para segurar os três pontos.

Ao segundo jogo, o FC PORTO mostrou uma outra face igualmente eficaz e segue como se previa, com 6 pontos e sem golos sofridos. Mesmo sem ser brilhante fomos de longe melhores que o TONDELA e, olhando pelo retrovisor para a época passada, esse facto já me deixa com outra cara. Domingo, é dia de DRAGÃO e, na receção ao MOREIRENSE FC, só peço que o FC PORTO nos presenteie com mais um mimo. Se possível, com chocolate.


Destaques:

IN

Ricardo Pereira/Corona - Dos pés do português e do mexicano apareceram inúmeros lances de perigo no ataque azul e branco. Encantam, desequilibram e parece que se conhecem há anos.

Oliver - O novo técnico já mostrou que o próximo passo são os golos. No entanto, se for jogando como tem jogado (em alguns momentos) já não me importo. Imporessionante com bola, incansável sem ela.

Baliza fechada - Mero dado estatístico mas injetor de confiança e prova do trabalho que vem sendo realizado.

"Onda Azul" - Impressionante o azul que se viu em território dos “vermelhos” presidente e técnico tondelenses.


OUT

Marega - Esforçada mas algo inconsequente a exibição do maliano.

Soluções - SOARES está lesionado mas, olhando para o banco, darão as soluções, principalmente atacantes, garantias? Fica a questão.

Vídeo-árbitro - Só serve e alguns estádios e para alguns clubes. Pedir a tecnologia para validar o golo de ABOUBAKAR é, no mínimo, ridículo.

por Fábio Daniel Ferreira

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Entrada Com o Pé Direito (de Marega)

Depois de muita espera e ansiedade em ver a bola rolar no Dragão eis que chegou o dia, e bem que podemos dizer que a espera compensou. FC Porto 4 - 0 Estoril, resultado limpinho apimentado com uma exibição de nível que não defraudou as expectativas daqueles que acorreram ao estádio e formaram uma verdadeira onda azul.


O FC Porto promovia este desafio sob o lema "entrar com o pé direito", e foi isso mesmo que aconteceu, com Moussa Marega em grande plano.


Foi um estádio cheio, entusiasmado e carregadinho de esperança aquele que recebeu a equipa portista no pontapé de saída para o Campeonato 2017/18, que foi muito bem presenteado pelos artistas que subiram ao palco do Dragão.

A pré-época do FC Porto, salvo algumas excepções, criou nos adeptos uma enorme expectativa para este início de campeonato, e os comandados por Sérgio Conceição não fizeram por menos e começaram esta caminhada dando continuidade aos bons indicadores a que podemos assistir ao longo desta pré-temporada.

Foram 4 mas podiam perfeitamente ter sido mais, contra uma equipa que, na época passada, sob o comando do nosso conhecido Pedro Emanuel perdeu apenas 2 jogos. Era, portanto, um adversário que se esperava capaz de causar dificuldades ao FC Porto, um Estoril bem organizado apostado em apanhar os portistas em contrapé. Mas não foi isso que aconteceu, e muito graças à exibição dos azuis e brancos, que tornaram fácil uma equipa que poderia ser complicada.


A primeira parte foi pautada pela verticalidade da equipa portista. Rápida a subir no terreno, sempre a procurar um futebol apoiado, a colocar muitos em zona de finalização e, como já nos começamos a habituar, rápidos na reação à perda da bola. Era, por isso, com água na boca que se ia assistindo ao desenrolar dos primeiros 45 minutos que, aliás, deram tempo para ver serem invalidados 2 golos e desperdiçadas várias oportunidades, com Aboubakar à cabeça. Soares, que alinhou de início ao lado do camaronês, esteve em dúvida, mas Sérgio lançou-o a jogo. Viria a sair lesionado para dar lugar àquele que foi o MVP deste encontro. Quando vi Soares sair, pensei: "lá vai o Marega". E ele foi mesmo, e foi com a força toda e não só me calou uma, como duas vezes. Grande Marega!

O ponta de lança do Mali foi o autor do primeiro, que levou os portistas a vencer por 1-0 para os balneários. Resultado algo escasso, mas o mais difícil estava feito: meter lá dentro o primeiro.

A segunda parte não começou da melhor forma e até ao segundo golo, foi o pior período da equipa, não tão rápida, a não aproveitar o jogo interior e a insistir demasiado nos corredores laterais com cruzamentos que não levavam a lado nenhum. Porém, o génio argelino pôs fim a esse curto período de cerca de 10 minutos e, aos 54, Brahimi fez o segundo, lançando os portistas para uma exibição que encheu o olho. Feito o segundo, o futebol praticado superou o do primeiro tempo, e os dragões davam poucas hipóteses à equipa da linha. De novo com um futebol rápido, com jogo interior, a bola passava por todos e os ataque surgiam ora pela esquerda, ora pela direita e com diferentes intervenientes. Entre mais uma série de golos cantados desperdiçados, houve espaço para mais dois. Marega, a faturar num cabeceamento pleno de oportunidade, aproveitando um cruzamento de Oliver Torres que pedia o golo. Mais tarde, foi a vez de Marcano, com o Vídeo-árbitro (VAR) a restabelecer a justiça que o fiscal de linha retirara.

O resultado final ditou 4 golos sem resposta, numa exibição de um FC Porto de prego a fundo, com um futebol alegre e contagiante que devolveu a alegria a um Dragão cansado de exibições cinzentas. Este é o caminho a seguir!

Destaques


IN

♕ Marega - O grande destaque vai, sem dúvida, para o avançado maliano. Moussa Marega surpreendeu-me, e de que maneira, com uma exibição muito bem conseguida. Ao seu poderio físico, que já conhecíamos, juntou-lhe velocidade, drible e uma afinação naqueles pés que me deixaram orgulhoso. Fez quatro remates, três deles enquadrados, um passe para ocasião flagrante e um drible eficaz numa tentativa. Por favor Marega, keep going!


Brahimi - O génio do argelino andou à solta no Dragão, fintou, criou oportunidades, assistiu e marcou. Em suma, Brahimi mostrou a sua qualidade e a importância que pode assumir nesta equipa. Tentou nove vezes o drible e teve sucesso em quatro, rematou duas vezes, uma delas enquadrada, fez dois passes para finalização e ganhou nove de 18 duelos.

Marcano - Como se tornou hábito na época passada, nova exibição de qualidade do espanhol que começou este campeonato dando continuidade às boas exibições do passado. Para além do golo registou ainda um passe para ocasião, acertou dez de 12 passes longos, ganhou quatro de seis duelos e fez seis alívios.


OUT

10 minutos iniciais do segundo tempo - Após uma exibição globalmente tão satisfatória, pode parecer um preciosismo destacar uns "míseros" 10 minutos, mas o que é facto é que foi o pior período desta equipa,  onde a clarividência não abundou. Felizmente que depressa tudo melhorou e FC Porto não deixou que passasse duns curtos 10 minutos.


Aboubakar - Mostrou a mesma força, disponibilidade e combatividade da pré-temporada, mas não a finalização. Abou tentou de todas as formas, mas não deu. Ele queria muito, e tenho a certeza que o estádio também, mas ontem não era para ele. OUT por isso.

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

O Plantel do FC Porto versão 2017/18

Depois da opinião acerca do FC Porto de Sérgio Conceição e os reforços que aterraram na invicta para a nova época, agora que terminou oficialmente a pré-temporada do FC Porto, é tempo aqui no blog, de um olhar sobre do plantel azul e branco para a nova época que aí vem.

Como ponto de partida, penso que seja de opinião comum que o atual FC Porto apresenta bem mais argumentos que aquele que iniciou a época transata. Acima de tudo, um FC Porto com mais e credíveis opções para os diferentes setores do terreno, a juntar ainda ao facto de alguns atletas que se revelaram mais apagados na época passada, parecerem dar mostras de crescimento no novo sistema implementado por Sérgio Conceição.

No que diz respeito aos setores, a defesa é aquele que mais se destaca, quer pela qualidade com que está servida, mas também pela quantidade de atletas. O meio-campo, à excepção da saída de Rúben Neves mantêm-se intacto e o ataque, pese embora a venda de André Silva, aumentou a sua qualidade com o regresso de Aboubakar. 

Em traços gerais é isto que se pode tecer do plantel que vai iniciar a conquista de um campeonato que já nos foge há demasiados anos. Porém, e pese embora este acrescento de qualidade, existem a meu ver, algumas lacunas que deveriam ser solucionadas até ao fecho do mercado, a 31 de Agosto.

Acima de tudo, vejo um plantel algo desequilibrado. Se na defesa as opções são de qualidade e abundam, no ataque, embora o veja mais forte, continua limitado em altern
ativas. Tal como aconteceu na época passada.

No setor mais recuado, atualmente, contam-se 10 atletas (excluindo os guarda-redes): 4 centrais e 6 laterais. Quanto a estes últimos, aqui certamente que haverão saídas, até porque é impensável ter no plantel 3 laterais para cada lado. Resta saber quem serão os preteridos. Diogo Dalot é o mais fácil de se lhe adivinhar o destino, com a equipa B como pano de fundo. Em relação aos restantes, o mesmo não se pode dizer. Contudo, e tendo em conta a sua pouca utilização esta pré-temporada, arrisco dizer que a Rafa Soares espera-lhe um novo empréstimo. 

Fazendo uma reflexão ao estilo "se eu mandasse", riscaria desta lista Maxi Pereira que, embora as suas qualidades notórias, tem na idade e, acima de tudo, no salário, dois grandes entraves. Ficaria Ricardo Pereira dono e senhor da lateral esquerda, aproveitando a polivalência de Layún para lhe dar a cobertura necessária. Do outro lado, Alex Telles e Rafa.

Quanto aos centrais, sou da opinião que o 4º central pode muito bem ser um jogador da equipa B, até porque, salvo raras excepções, é difícil e pouco recomendado fazer uma rotação entre quatro atletas para o eixo defensivo. Ora, por esta lógica, entre Reyes e Indi só haveria lugar para um. Como sou apenas um opinador, não sei se a visão do nosso mister é a mesma. Caso seja, teria dificuldade em escolher um dos 2, em caso contrário, Sérgio terá de ser exímio nos minutos de jogo que dará a ambos.

No meio-campo, pese embora gostasse de ver Rúben neste modelo de Sérgio Conceição (tendo em conta a exigência que pede aos dois homens do miolo na construção de jogo, seria agradável ver aqueles pezinhos de Rúben Neves a funcionar), penso que estamos bem servidos. André André tem-se mostrado a bom nível em terrenos mais recuados, esquecendo a sua expulsão em Guimarães, e Herrera, aos poucos, vai dando um ar da sua graça. Oliver é, porventura, o que mais cresceu neste sistema e tem Otávio e Sérgio Oliveira para ocuparem a sua posição. Este último com bons indicadores nesta pré-época e a surpreender-me bastante. João Carlos Teixeira parece-me estar a mais neste plantel.

Fica apenas a faltar o ataque. Ainda que em fase embrionário já está visto que com Soares e Abou temos dois monstros apontados às balizas adversárias, porém ainda não consigo ver em Marega uma alternativa credível. Expliquei o porquê aqui.
Relativamente aos extremos, temos outro problema. Corona e Brahimi serão à partida os donos das posições com Hernâni e Otávio como suplentes. Se com o argelino e o brasileiro para a esquerda podemos ficar tranquilos, o mesmo não diria em relação à asa direita da equipa. Corona é demasiado inconstante. Quando está num "dia sim" é capaz do melhor, mas passa demasiadas vezes ao lado do jogo. É daqueles que faz um bom jogo e dois maus. Ter um jogador destes como seu suplente Hernâni, não é a melhor opção. Até agora o português só se mostrou em bom plano contra o Portimonense e vê-lo contra o Gil Vicente foi desesperante. Não fez nada e perdia a bola quase sempre que a tinha. A Corona faltava-lhe alguém que lhe mordesse os calcanhares, que o obrigasse a não baixar a guarda sob pena de ser ultrapassado, mas Hernâni parece que já se contenta em sentar-se no banco de suplentes. Aliás, apostaria que "os jogadores" que falou SC no final do jogo, tinham Hernâni incluído, de tão mau que foi o seu jogo. 

Mais do que em relação a Marega, seria para o lado direito do ataque que reunia esforços para solucionar esta lacuna, mas não me parece que vá acontecer. Vejo Sérgio a aproveitar Ricardo para ocupar essa posição quando necessário, mas um extremo seria muito bem-vindo.