domingo, 5 de novembro de 2017

Décima!

Depois de uma sempre complicada deslocação ao Bessa e de um jogo de enorme exigência frente aos alemães do RB Leipzig, menos de 72 horas volvidas e novo jogo, desta vez contra um bem orientado Belenenses que, exceção feita às crónicas goleadas frente ao Benfica, vai realizando um ótimo campeonato. Às naturais dificuldades que uma semana exigente como esta podem comportar, juntaram-se ainda as condicionantes técnicas em resultado das lesões de Marega e Soares que vão deixando o ataque do FC Porto algo debilitado.

Herrera, 10º estrangeiro com mais jogos pelo FCP (162)
Desta feita, o jogo frente à equipa de Belém era encarado como uma final pelo treinador Sérgio Conceição. Final ou não, o desafio foi superado, e o FC Porto venceu a equipa forasteira por 2 bolas sem resposta, conquistando a décima vitória em 11 jornadas. Com mais dois tentos, a equipa de Sérgio Conceição alcança a marca dos 30 golos, feito esse que só encontra paralelo se recuarmos 55 anos, quando o húngaro Jenő Kalmár orientava os dragões, com o mesmo número de golos ao fim de 11 jornadas.

Condicionado pelas lesões de duas das suas três opções para a frente de ataque, Sérgio Conceição apresentou uma equipa organizada em 4-3-3, com destaque para a inclusão de Hernâni que suplantou Corona, no banco depois de ter saído "tocado" na última quarta-feira. Reyes entrou para o lugar de Danilo e André André completou o trio do meio-campo que integrava ainda um cada vez mais irreconhecível Herrera. Impossível deixar passar a ausência de Oliver que, mesmo num meio-campo a 3, parece não ser opção para o treinador. Algo que não deixa de me surpreender.

A vitória por 2-0, ficou marcada por uma primeira parte dominadora dos azuis e brancos na busca do golo que evitasse complicações indesejadas, não permitindo grandes réplicas aos seu adversário. Por sua vez, o segundo tempo, deu espaço a uma reação do Belenenses que, sem causar grande perigo foi-se aproximando aos poucos da baliza de José Sá. 

O FC Porto entrou forte na partida e apostado em por de parte o possível cansaço e as condicionantes impostas pelas lesões. A dominar, o FC Porto não deixava os visitantes responderem e ia criando perigo para a baliza de Muriel. Logo nos primeiros 10' min, para além dos 71% de posse de bola, os dragões registavam ainda quatro remates, um deles enquadrados. A construção portista ia-se fazendo bem desde trás, provam-no as 23 vezes em que Diego Reyes teve a bola em sua posse nos primeiros 10 min, liderando neste capítulo.

O tempo ia passando e o FC Porto intensificava a sua pressão, a posse de bola mantinha-se elevada para os da casa e o cerco ia-se apertando cada vez mais. À meia hora de jogo eram já 9 os remates, com destaque para Brahimi com 3 remates, um passe para finalização, 93% de eficácia de passe e no dribling teve sucesso nas suas 3 tentativas. 

O golo ia-se adivinhando, não só pelas oportunidades que eram criadas, como também pela facilidade com que os dragões entravam na área adversária. Até que o golo veio mesmo a acontecer. Na sequência de um pontapé de canto, tal como aconteceu na quarta-feira, a bola sobra para Herrera que, pela segunda vez consecutiva, inaugurou o marcador colocando o FC Porto na frente aos 42'.

O intervalo chegava com 65% de posse de bola, 13 remates, cinco deles enquadrados e uma vantagem inteiramente justa para o que se foi produzindo no primeiro tempo.

A segunda parte não se jogou ao mesmo ritmo da primeira, com menos pressão por parte do FC Porto, o Belenenses deu melhor resposta e foi dificultando a tarefa dos portistas em fazer o segundo e, a partir daí, gerir o jogo conforme pretendesse. Com um cansaço notório, os pupilos de Sérgio Conceição encolheram. A posse de bola baixou, ainda que com maior pendor para os da casa (52-48) e era o Belenenses quem criava mais oportunidades neste segundo tempo com 4 contra 3. 

Em virtude do desenrolar dos acontecimentos, Sérgio mexeu. Lançou S. Oliveira para o lugar de André, Galeno para o de Brahimi e já antes havia entrado Corona para o lugar de Hernâni. Com estas alterações o FC Porto ganhou mais discernimento no miolo, passou a controlar melhor e a ter mais bola, e com Galeno e Corona ganhou mais velocidade e capacidade de desequilíbrio, respetivamente. Com o Belenenses a tentar o seu ultimo forcing para chegar ao empate, o FC Porto como tão bem sabe fazer, aproveitou a oportunidade e partiu para um contra ataque letal, fazendo o 2 a 0 e alcançando a tranquilidade que ia sendo posta em causa até então, com um golo cheio de classe de Aboubakar.


Destaques:

IN

HERRERA - Vai sendo titular há já várias jornadas, relegando Oliver para o banco. Inicialmente intranquilo, e com alguma desconfiança dos adeptos, Herrera vai mostrando uma nova faceta, e depois de ser o MVP frente ao Leipzig, volta a consegui-lo de novo. Já não marcava em dois jogos consecutivos há 23 meses mas ontem, para além do golo assistiu para o segundo. A isto soma-se ainda uma eficácia de passe de 91%, 4 passes para finalização e 8 recuperações de bola. 

REYES - Foi o outro mexicano em evidência. Algo discreto, mas muito sólido, ocupou o lugar de Danilo e fez um ótimo jogo. Assistiu Herrera para o 1-0, registou dois passes para finalização, 88% de eficácia de passe, foi quem mais interagiu com a bola (97 toques) e ainda ganhou quatro de seis duelos aéreos e fez quatro desarmes.

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

FC Porto de Combate Deixa Alemães K.O.

De regresso a casa na prova rainha da UEFA, o FC Porto precisava de vencer para ascender ao segundo lugar do grupo e colocar-se em boa posição para poder passar aos oitavos de final da competição. 

Depois de uma exibição muito à quem do esperado em território alemão, desta vez os portistas não perdoaram e viu-se uma verdadeira equipa de combate que contrariou as adversidades e ajustou-se na perfeição às mudanças que se viu obrigada a fazer.

Pese embora o reconhecido poderio do meio-campo alemão, que nos deu grande dores de cabeça na primeira volta, Sérgio Conceição não foi em meias medidas e lançou a jogo uma equipa com apenas dois elementos no meio-campo. Ia o jogo ainda nos seus primeiro minutos e a primeira lesão: Marega é obrigado a sair, não sem antes fazer uma arrancada que viria a originar o canto que deu o 1º golo da partida. Saiu Marega e entrou André.

Com apenas um elemento atacante no banco de suplentes, Sérgio Conceição optou pelo médio português. No minuto seguinte à entrade de André André, de canto os Portistas inauguram o marcador. Entre ressaltos, Herrera aproveitou a oportunidade e inaugurou o marcador. 

Com o golo veio também a alteração tática, em consequência da entrada de André André que, curiosamente, acabou por vir baralhar a estratégia de jogo. Vicissitude essa que, diga-se, muito bem aproveitada pelo FC Porto. Com André, os comandados de Sérgio Conceição ganharam corpo no seu meio-campo, passaram a ocupar as entrelinhas e a intensidade no miolo do terreno aumentou.

A primeira parte, para além do golo, foi pautada pela velocidade e agressividade, comuns no futebol vertiginoso dos alemães. O FC Porto foi dando boa conta de si, bem encaixado no jogo do Leipzig não permitiu grandes ameaços.

Ao fim dos primeiros 45 minutos, pese embora o domínio na posse de bola alemão, era o FC Porto quem tinha criado mais perigo. Destacavam-se Brahimi, no capítulo ofensivo, mas essencialmente no que à parte defensiva diz respeito com 7 recuperações e Herrera que, para além do golo, contabilizava cinco duelos ganhos, seis recuperações e quatro desarmes.

O segundo tempo iniciou-se praticamente com o golo do empate do RB Leipzig logo aos 48 minutos. Chegados ao empate, a equipa alemã tentou partir para cima do FC Porto, mas a reação ao golo por parte dos azuis e brancos foi extremamente positiva. O FC Porto não acusou o empate, e rapidamente causou perigo para a baliza de Gulacsi. De forma justa, aos 61 minutos, desta vez por Danilo, o FC Porto voltava a adiantar-se no marcador. Um merecido prémio que coroou as investidas portistas que levavam já 5 remates no segundo tempo contra apenas 1 do seu adversário. 


De novo em vantagem, o FC Porto conseguiu manter o controlo da partida e segurar o seu adversário longe da baliza de José Sá. É durante este período que surge nova lesão na equipa portista, agora foi a vez de Corona sair agarrado à coxa tal como havia acontecido com Marega, abrindo espaço para a entrada de Maxi Pereira na partida. De novo o FC Porto voltou a tirar partido da alteração forçada, utilizando o defesa uruguaio para estancar as investidas pelo corredor direito posicionando-se à frente de Ricardo Pereira e a funcionar como um segundo defesa lateral.

Maxi viria mesmo a marcar. Com os alemães balanceados na frente, o FC Porto fez aquilo que tão bem tem feito (mais uma) desde a chegada de Sérgio Conceição. Lançou-se em contra-ataque e aplicou a estocada final, deixando os alemães K.O. e arrumando as dúvidas quanto ao resultado final. Aboubakar, com um excelente trabalho, recebeu, aguentou e lançou para a corrida de Maxi que voltou a marcar na champions 5 anos depois já em período de compensação.

Chegava ao fim o jogo, com uma vitória por 3 bolas a 1 que, mais que o segundo lugar, oferece também uma importante vantagem em caso de confronte direto. Uma vitória feita da adversidade de uma equipa que, vendo-se obrigada a remendar os rasgões causados pelo encontro, deu uma resposta de altíssimo nível frente ao terceiro classificado do campeonato alemão.

Destaques:

IN

DANILO - O médio português esteve envolvido nos dois primeiros golos da sua equipa, assistindo Herrera antes de ele próprio marcar, num dos três remates que fez. Para além disso, Danilo Pereira acertou 86% dos seus passes, venceu oito dos 13 duelos que disputou e somou dez acções defensivas, entre as quais quatro intercepções e dois bloqueios de remate.

HERRERA - O mexicano deu continuidade à boa exibição trazida do Bessa. Acertou 33 dos 39 passes que fez, dois deles para finalização, recuperou a posse de bola oito vezes e somou seis acções defensivas.

SÉRGIO CONCEIÇÃO - Fez da adversidade força e venceu o jogo. Obrigado a mexer, Sérgio Conceição aproveitou para retirar dividendos e mais do que uma dificuldade o treinador portista, fez de um aspeto negativo, um fator diferenciador para o desfecho final com as suas opções a revelarem-se acertadas.

OUT

LESÕES - As lesões de Marega e Corona puseram a nú as debilidades que o plantel curto deste FC Porto apresenta. Hoje, perfeitamente resolvidas, mas estamos em Novembro e já andamos com estas preocupações.

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Sociedade Africana Decide o Derbi

Depois da vitória dos dois rivais, na véspera, só os três pontos no BESSA devolviam a liderança da LIGA NOS ao FC PORTO. Num dérbi que se manteve equilibrado, o trio africano dos dragões acabou por se revelar decisivo.

Para o dérbi da invicta, e na antecâmara da receção (decisiva) ao RB LEIPZIG, SÉRGIO CONCEIÇÃO não operou nenhuma alteração em relação ao último jogo da LIGA NOS. Assim sendo, e além da questão JOSÉ SÁ, que voltou a ser titular, DANILO pereira e héctor HERRERA fizeram dupla no meio campo, ficando o ataque entregue a jesus CORONA e yacine BRAHIMI, nas alas, e moussa MAREGA e vincent ABOUBAKAR mais adiantados.
Em relação ao BOAVISTA FC, que desde a chegada de JORGE SIMÃO contava para a liga com três vitórias e um empate, e que vinha precisamente de uma vitória no terreno do GD ESTORIL PRAIA, por 3-0, chegava motivado ao dérbi e com duas modificações no onze: YUSUPHA nije substituiu RUI PEDRO, emprestado pelos dragões, e KUKA entrou para o lugar de MATEUS.
Na primeira parte, e não obstante o FC PORTO ter começado por cima, o equilíbrio a meio campo e a intensidade nos duelos (bem à moda do Porto) imperaram. O BOAVISTA FC, com mais homens na zona central do meio campo, foi competente ao contrariar o jogo dos dragões que raramente viram a sua dupla atacante a receber a bola em perfeitas condições. No ataque axadrezado, o gambiano YUSUPHA era a principal dor de cabeça para a defesa portista (FELIPE que o diga). De destaque, perto das balizas, apenas dois lances, que espelham o que foi o jogo até ao intervalo: o calcanhar de YUSUPHA, que obrigou JOSÉ SÁ a uma importante intervenção, e o remate do mexicano CORONA, já perto do descanso, que assustou VÁGNER.
No segundo tempo, o FC PORTO entrou para melhor. Com linhas mais subidas e mais intensidade defensiva, a equipa de SÉRGIO CONCEIÇÃO mostrou desde cedo que queria resolver o jogo. Assim sendo, e com apenas 5 minutos jogados, ABOUBAKAR fez de terceiro médio, ao receber a bola na zona central e, depois de um túnel sobre um adversário solicitar CORONA. O mexicano cruzou da direita para BRAHIMI que, ao segundo poste, desviou para o camaronês inaugurar o marcador.
Feito o mais difícil, o FC PORTO ia controlando o encontro continuando a imprimir mais velocidade nos seus processos perante um BOAVISTA FC que continuava organizado e bem na luta pelos pontos. Fábio ESPINHO, num livre que ainda desviou em HERRERA, foi um lance quase isolado no domínio azul e branco.
Com a desvantagem, JORGE SIMÃO foi o primeiro a mexer, lançando MATEUS para o lugar do desinspirado KUKA, respondendo CONCEIÇÃO com a entrada de ANDRÉ ANDRÉ, rendendo CORONA, para preencher e dar outra segurança ao meio campo. No entanto, entre ameaços perto das balizas, o técnico boavisteiro tentou um assalto mais assertivo à área azul e branca, com as entradas dos atacantes ROCHINHA e leonardo RUIZ, mas frente a um FC PORTO em estado de graça na liga, revelou-se fatal. A saída de um central juntamente com a alteração de sistema criou uma cratera na defesa do BOAVISTA FC e, depois de HERRERA, na cara de VÁGNER, ter ameaçado, o próprio mexicano assistiu logo a seguir MAREGA, que aproveitou para matar o jogo, com dez minutos para jogar.

O FC PORTO, que passou a partir daí a pensar no jogo da champions,, comecou a gerir o jogo mas, com o BOAVISTA FC, completamente partido ainda aproveitou para aumentar a vantagem. Depois de um camaronês e de um maliano, foi a vez do argelino BRAHIMI concluir, na cara de VÁGNER, um jogo que se adivinhava mais complicado. Ainda andes do apito final, MAREGA acertou ainda com estrondo na trave, estando em iminência o quarto golo.
Com a nona vitória em dez jornadas, o trio africano coloca o FC PORTO de novo no topo da classificação da LIGA NOS numa demonstração, mais uma, de força e qualidade da equipa azul e branca. A vitória no BESSA, frente a um BOAVISTA FC que apresentou qualidade e argumentos para contrariar o dragão, abre ainda o apetite para o jogo de quarta-feira, frente ao RB LEIPZIG, onde a vitória é essencial e onde todos contamos com a presença do perfume africano.


Destaques:

IN

HERRERA - É do plantel o jogador com a crítica mais fácil e frente ao BOAVISTA mostrou o porquê de ser um habitual titular. Uma assistência e um conjunto de boas decisões. Grande jogo.

ÁFRICA MINHA - Ora marca ABOUBA, ora marca MAREGA, ora BRAHIMI molha a sopa. No sábado, marcaram os três. Outrora assobiados, agora são acarinhados.

MAR AZUL - Mais uma vez, uma bancada cheia e uma onda a empurrar a equipa. A “rotunda” foi pequena para tanto azul.

OUT
GOLO AMARELADO - Confesso que ainda não percebi o amarelo a ABOUBAKAR. Roça o ridículo.

por Fábio Daniel Ferreira,
Muralha Azul

domingo, 22 de outubro de 2017

Alguém Falou Em Resposta Forte?

1 golo e uma exibição fantástica
Depois do jogo em Leipzig onde, pese embora a derrota, o resultado até foi mesmo o melhor daquele desafio, Sérgio Conceição garantiu que uma resposta forte seria dada.

De facto era essencial dar essa resposta, depois de uma exibição na Alemanha que desiludiu bastante, tornou-se importante dar uma demonstração de força, mas aquilo a que se assistiu no Dragão não foi uma resposta forte, foi um verdadeiro atropelamento. A violência foi de tal forma, que o jogo de ontem devia ter sido para maiores de 18 anos. Que grande exibição!

Com José Sá na baliza "para alimentar" ainda mais a polémica, regressaram ao 11 portista Ricardo Pereira e Corona, relegando Sérgio Oliveira e Layún diretamente para a bancada. Com eles voltou também o 4-4-2 com Marega e Aboubakar como lanças apontadas à baliza pacense.

Um FC Porto completamente insaciável foi aquele que podemos ver no Dragão. Uma equipa forte, dinâmica, que atacou de todas as maneiras e feitios, que marcou 6, mas podiam ter sido mais, tal foi a avalanche ofensiva dos pupilos de Sérgio Conceição.

O festival de golos começou logo aos 4 min com Ricardo Pereira a apontar o seu primeiro golo de azul e branco após o seu regresso à invicta. Mas, sem fazer muito por isso, os visitantes empataram depois de uma perda de bola a meio-campo que permitiu a Welthon apontar um golo de belo efeito. Com o resultado empatado e vindo de um jogo onde as coisas não correram bem, os portistas não acusaram qualquer tipo de pressão e, aos 18' Felipe (à ponta de lança) restabeleceu a justiça no marcador e colocou os Dragões novamente na frente. A partir daí foi continuar a acelerar a grande velocidade e seguiram-se mais dois golos da autoria de Marega, também ele a brilhar depois de uma exibição pobre em Leipzig.

O FC Porto ia para o intervalo com 3 golos de vantagem e o jogo perfeitamente resolvido. Durante os primeiros 45 min assistiu-se a grande intensidade, posse de bola em quantidade e qualidade, profundidade e um coletivo de grande nível que deixou o Paços de Ferreira perto do K.O. ao fim do primeiro assalto. A posse de bola fixava-se nos 70%, convertida em 10 remates, 6 deles à baliza de Mário Felgueiras.

Se os números alcançados no primeiro tempo poderiam antever uns segundos 45' a um ritmo mais baixo e de gestão do resultado, não foi isso que aconteceu e o rolo compressor portista continuou. As oportunidades foram-se sucedendo, o ritmo manteve-se e o nível exibicional, idem.

Nesse sentido, e depois de 4 remates dos portistas, o quinto golo apareceu com naturalidade apontado pelo mexicano Corona. Aos 72', Aboubakar estabeleceu o resultado final e deixou, também ele, o seu nome escrito na lista dos marcadores.

O FC Porto fez deste um jogo simples, fácil e de sentido único, numa verdadeira resposta ao desaire na champions somando a 8 vitória em 9 jogos, infligindo ao seu opositor uma goleada das antigas. Aliás, o FC Porto de Sérgio Conceição atingiu a marca das 5 goleadas nos primeiros 5 jogos em casa, um feito nunca antes atingido.


Destaques:

IN

RICARDO PEREIRA ♛ - Regressado ao 11 de onde nunca deveria ter saído, o lateral portista fez um jogo extremamente completo: atacou, defendeu, marcou e assistiu. Um vai-vem constante que lhe deram o prémio de MVP da partida. O lateral português  fez duas assistências, terminando a partida com quatro passes para finalização, três ocasiões flagrantes criadas, dois dribles eficazes em duas tentativas, 11 duelos ganhos em 13 e ainda quatro desarmes.

CORONA - Tal como Ricardo, regressou ao 11, mas este depois de uma ausência mais prolongada. Como é seu apanágio quando faz bons jogos, são sempre de bom nível. Corona não só marcou um golo, como fez uma assistência em dois passes para finalização, teve sucesso em três de cinco tentativas de drible, terminou com 93% de eficácia de passe, recuperou oito vezes a bola e ainda fez cinco desarmes.

MAREGA - Esteve às portas do hat trick, mas ficou-se pelo bis. O estádio pedia o terceiro para o maliano, mas tal não aconteceu, pese embora as oportunidades por ele criadas: rematou por seis vezes, cinco delas enquadradas, materializadas em dois golos.

OUT

PERDA DE BOLA - À semelhança do que aconteceu na Alemanha, também o golo dos "castores" foi conseguido após um erro no processo de construção da equipa. Foi dos poucos erros cometidos mas coincide no segundo jogo consecutivo. A rever.

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

(In)Experiência Europeia

Num jogo em que SÉRGIO CONCEIÇÃO surpreendeu, ao dar a titularidade a JOSÉ SÁ, também a equipa surpreendeu com a pior exibição da temporada. Num duelo que promete na luta pelo apuramento, a experiência azul e branca esbarrou de frente com a irreverência alemã e foi “de cadeira” que assistiu à primeira vitória de sempre dos germânicos na prova.

À partida para a terceira jornada da fase de grupos da LIGA DOS CAMPEÕES, o FC PORTO, com três pontos e recordista de presenças na prova, procurava dar sequência à brilhante vitória no Mónaco. Em contraste, o RB LEIPZIG, com apenas um ponto e vindo de uma derrota, na Turquia, procurava a primeira vitória na “Champions”.

No entanto, e perante os factos, históricos entre eles, o técnico azul e branco foi o primeiro a tentar ditar leis no jogo dentro das quatro linhas. CASILLAS, um veterano na “liga milionária” foi relegado para o banco. Miguel LAYÚN, héctor HERRERA e sérgio OLIVEIRA foram de novo titulares, repetindo assim a mesma estratégia usada no principado.

Na formação alemã, ralph HASENHÜTTL deixou de fora a habitual dupla atacante (em condições normais), timo WERNER e yurary POULSEN, e apostou numa equipa mais veloz e ágil. Com três médios criativos no meio campo, naby KEÏTA, kevin KAMPL e emil FORSBERG, todos eles muito fortes entre linhas, com marcel SABITZER, na direita, e o português BRUMA, na esquerda, e com jean-kévin AUGUSTIN na frente, os “touros vermelhos” foram uma constante dor de cabeça, principalmente no primeiro tempo.

Assim sendo, num início de jogo penoso para o FC PORTO, que simplesmente não tinha bola e mesmo sem ela demonstrava uma inabitual intranquilidade, foi do banco que a experiência (CASILLAS) viu a inexperiência (JOSÉ SÁ) comprometer, num remate aparentemente inofensivo de BRUMA, mas em que a deficiente abordagem do guarda-redes azul e branco permitiu a willi ORBAN colocar o LEIPZIG em vantagem. Estavam decorridos oito minutos.

Com um meio campo do LEIPZIG tremendamente eficaz, quer na pressão, quer depois no desenvolvimento das suas jogadas, com FORSBERG, KEÏTA e KAMPL a ganharem constantemente a bola entre linhas, explorando depois a veloicdade de SABITZAR, BRUMA e AUGUSTIN, e com a estratégia de CONCEIÇÃO a não surtir efeito (DANILO jogou quase sempre descompensado e HERRERA e SÉRGIO OLIVEIRA nunca conseguiram ligar com o ataque), o jogo do FC PORTO estava entregue às individualidades de yacine BRAHIMI (algumas vezes em exagero) e ao jogo direto para vincent ABOUBAKAR. Ainda assim, e na primeira vez que os dragões se acercaram da baliza de péter GULÁCSI, acabou por empatar. Num lançamento lateral de LAYÚN, e depois de ganhar duas vezes nas alturas, ABOUBAKAR voltou a marcar na LIGA DOS CAMPEÕES.

No entanto, o golo do FC PORTO, que devia ser sinónimo de alguma tranquilidade, manteve tudo na mesma, deixando o vice-campeão alemão com o controlo e domínio do jogo e com uma zona defensiva (incluindo o meio campo defensivo) em fanicos. E depois de vários desperdícios, com BRUMA e AUGUSTIN à cabeça, o LEIPZIG voltou à vantagem, por FORSBERG, que aproveitou mais um “facilitismo” da defesa azul e branca. Três minutos volvidos, aos 40, e quando ainda se festejava o golo da vantagem, mais uma vez a equipa portista a facilitar. DANILO a errar um passe na zona central do meio campo e depois de um ressalto em iván MARCANO é AUGUSTIN que, na cara de JOSÉ SÁ, aumenta a vantagem.

Com a tarefa assaz complicada e, acredito, com muitos adeptos a recearem um resultado mais pesado, a equipa de CONCEIÇÃO teimou e não sair da discussão do resultado e, em cima do intervalo, em mais uma bola parada (canto batido por ALEX TELLES), HERRERA assistiu MARCANO para o 3-2, e de novo incerteza no resultado.

No segundo tempo, o FC PORTO melhorou defensivamente, passando a recuperar mais bolas e obrigando o LEIPZIG a baixar a pressão e a apostar no contra-ataque. Com mais bola, CONCEIÇÃO colocou ÓLIVER torres no lugar de um “perdido” SÉRGIO OLIVEIRA, mas mesmo assim as principais jogadas de perigo eram da equipa alemã. Aos 62 minutos, BRUMA obriga MARCANO a um corte praticamente em cima da linha e 10 minutos depois AUGUSTIN em jogada individual remata a rasar a trave.

Na dança das substituições, jesús CORONA rendeu BRAHIMI para refrescar o lado esquerdo do ataque azul e branco enquanto HASENHÜTTL colocou WERNER e POULSON para refrescar ataque. E apesar do alemão ter obrigado JOSÉ SÁ a uma boa defesa, com um remate cruzado, foi o FC PORTO que se acercou sem efeitos práticos da área adversária. No entanto, e com alguns passes e cruzamentos inconsequentes, o melhor que se viu foi um cabeceamento de moussa MAREGA que saiu ao lado da baliza germânica.

Assim, num jogo em que o FC PORTO podia fazer valer a sua experiência para alcançar um resultado positivo, a mesma só valeu para manter a incerteza no resultado. Quanto ao resto, o que se viu no RED BULL ARENA foi um conjunto de inexperiências que resultaram numa sombra daquilo que os “dragões” já mostraram ser capazes de fazer. SÉRGIO CONCEIÇÃO voltou a errar na Europa e vê numa vitória daqui a 15 dias uma obrigação. Primeiro, a curiosidade de ver a resposta, já no sábado, na receção aos “castores”, e perceber igualmente se CASILLAS volta, ou não, à baliza. Tem a palavra o mister e os seus jogadores.

DESTAQUES

IN

LADO ESQUERDO - ALEX TELES e BRAHIMI foram o mas próximo do habitual “Porto”. Uma enorme diferença para o resto.

MARCANO - Participou em vários “apagões” defensivos mas além do golo em cima do intervalo, colocou o FC PORTO em jogo ao cortar o remate de BRUMA em cima da linha.

ÓLIVER/CORONA - A entrada do espanhol e do mexicano deram outra expressão ao jogo azul e branco. Titularidade à espreita?

OUT

LADO DIREITO - Além de não ter acertado um único cruzamento, LAYÚN não faz esquecer RICARDO pereira. Já MAREGA não se deu por ele.

SÉRGIO CONCEIÇÃO - Voltou a errar na Europa. Em três jogos, qual será o FC PORTO europeu?

BALIZA - Não se compreende a saída de CASILLAS, num jogo de tamanha importância. Que seja mera opção e que o próximo jogo dite o regresso da “lenda”.

por Fábio Daniel Ferreira,
Muralha Azul

sábado, 14 de outubro de 2017

Luta Desigual Com O Desfecho Esperado

O FC Porto estreou-se ontem na Taça de Portugal na visita ao Restelo, a casa emprestada ao modesto Lusitano de Évora para receber aquele que é o atual líder do campeonato nacional.

O adversário era frágil, e um jogo com baixo nível de dificuldade era o esperado. Quando se tem do outro lado um adversário como aquele que encontramos ontem, uma equipa do terceiro escalão e a consequente desigualdade de argumentos, o difícil mesmo é manter os níveis competitivos e motivacionais dos atletas que lhes permitam encarar a partida com o mesmo profissionalismo e seriedade que merecia o adversário. E foi isso mesmo que aconteceu, o jogo foi encarado como devia ser, abrindo a oportunidade aos menos utilizados e tempo para alguns miúdos que se vão destacando na B, com destaque para Dalot que saltou para a titularidade no lado esquerdo da defesa que contou ainda com Diego Reyes a fazer parceria com o capitão Marcano.

O FC Porto entrou apostado em dar mostras que não estava ali para cumprir calendário, e à semelhança do que faz em qualquer outro jogo, entrou forte e motivado, com a agressividade que o caracteriza e à procura do golo que surgiu praticamente em dose dupla: aos 20 e 21 por Aboubakar, "obrigado" a ir a jogo em virtude da lesão de Soares. Resultado que prevaleceu até ao intervalo pese embora as oportunidades criadas.

O segundo tempo seguiu pela mesma linha e foram 4 os golos apontados. Marcano, Otávio, Galeno e Hernâni foram os marcadores, fixando o resultado em 6-0. Com destaque para o golo do extremo português, mesmo a pedir uma primeira página d'A Bola a desejar um Puskas.

Para além de Diogo Dalot, esta foi uma partida que serviu ainda para lançar pela primeira vez Galeno, Luizão e Jorge Fernandes.

O resultado final foi o espelho de um luta desigual que já se esperava e de um FC Porto que jogou em ritmo alto como o faz contra qualquer outra adversário e isso foi o mais importante.

Destaques:

IN 

Dalot / Galeno - Fico sempre reticente em falar que determinado jogador deu mostras que "podem contar com ele", tendo por base jogos como este, em que o adversário é tão inferior que um jogador com a mínima qualidade inserido numa equipa rotinada e bem trabalhada dificilmente não mostra serviço. Contudo, destaco positivo para Dalot e Galeno. O primeiro a demonstrar a qualidade que lhe é conhecida é feito e uma maturidade que se se mantiver assegurar-lhe-á um lugar no 11 do FC Porto no futuro, e Galeno que para além do golo deu continuidade àquilo que tem vindo a fazer pela equipa B.

Mar Azul - Mesmo num jogo contra uma equipa de pouca dimensão, onde o resultado já se adivinhava foi boa a moldura humana que apoio o FC Porto no Estádio do Restelo.

Termino com um olhar rápido para o Relatório & Contas do FC Porto dado a conhecer esta semana. Os números apresentados eram algo que se perspetivava. Apresentar prejuízos não pode ser bom, mas há o aspeto positivo: o prejuízo de pouco mais de 35 milhões de euros é o reflexo da gestão ruinosa dos últimos anos, mas dá mostras de se estar a inverter, superando os valores defendidos pelo Fair-play financeiro da UEFA. 

Mas, mais do que isto, o que destaco foram as declarações de Fernando Gomes. O Administrador da SAD Portista disse, a dado momento, que o FC Porto tinha contrato com demasiados jogadores e que quando regressavam ao clube, alguns até se estorvavam
uns aos outros. Achei piada à forma como falou Fernando Gomes: diz que o FC Porto tinha jogadores a mais como se os responsáveis por isso fosse um ser externo ao clube, cujas decisões eram impossíveis de controlar. Há anos que se fala das contratações disparatadas que iam sendo feitas ano após ano sem que ninguém percebesse a sua necessidade. Os jogadores só começaram a estorvar-se este ano? 

Depois de ter atirado as culpas dos resultados financeiros para NES num passado recente por este não querer vender Herrera, agora FG sai-se com esta.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

O Nulo Que Mantém Tudo Intacto

Naquele que era o primeiro clássico do campeonato português, o FC Porto rumou à capital para trazer de Alvalade uma vitória que nos escapa já desde os longínquos tempos em que Jesualdo Ferreira era o timoneiro portista.

Ainda não foi desta, mas fizemos bem mais que o suficiente para o conseguir. Como consolação resta-nos a liderança intacta no topo da tabela classificativa.

É impossível não dizer que, no final deste Sporting CP - FC Porto, era notório o amargo de boca, tal foi o futebol apresentado pela equipa de Sérgio Conceição. Fomos em quase tudo melhores, e no primeiro tempo assistiu-se a uma verdadeira avalanche azul e branca que só encontrou em Rui Patrício o único resistente da equipa adversária.

À semelhança do que havia acontecido terça-feira, pudemos assistir a um FC Porto calmo, convicto das suas capacidades, agressivo e sem medos lá na frente.

Entrando com os mesmos 11 que fizeram mossa no Mónaco, à excepção do lesionado Ricardo Pereira, os Dragões entraram em campo com um único objetivo: vencer. E, de facto, apenas podemos apontar à finalização o único ponto negativo da nossa equipa já que, por várias vezes, desaproveitou as oportunidades que iam sendo criadas. 

De novo em 4-3-3, a grande superioridade portista refletiu-se no seu meio-campo, onde secou por completo quaisquer tentativas de avanço no terreno por parte da equipa da casa. A reação à perda da bola era imediata, como tal, a pressão exercida sobre o transportador da bola adversário era tal que rapidamente o FC Porto recuperava a redondinha mesmo antes do Sporting se aproximar do nosso último terço do campo. Desta forma, não só se anulou o jogo interior do adversário, mas também as investidas pelas laterais, onde os da casa criam perigo com bolas para Bas Dost. Prova disso foi o primeiro lance de perigo pelas laterais registado já muito próximo do fim do primeiro tempo. Em suma, o pouco perigo que ia sendo criado pelo Sporting apenas se registava através dos lances de bola parada.

Na frente, Brahimi e Abou iam fazendo em água a defesa sportinguista, mas foi Marega o autor de duas das melhores oportunidades de golo para os azuis e brancos. Soltos, o trio ia criando oportunidades de várias formas. Sempre sob a batuta de Brahimi, o FC Porto podia ter inaugurado e ampliado o marcador várias vezes com principal destaque para o cabeceamento à trave de Marega e a recarga de Aboubakar defendida por Patrício.

Ao intervalo, o domínio portista era inquestionável. O FC Porto contabilizava 8 remates (5 enquadrados), contra apenas 1. O jogo era, portanto, de sentido único e ficava a convicção de que, continuando a toada, o golo teria de aparecer no segundo tempo.

Pese embora a convicção, tal não aconteceu, essencialmente devido ao facto de não ter sido possível manter o sentido único do primeiro, devido à quebra física da qual se ressentiu a equipa nos segundos 45 min. O desgaste causado pela correria no primeiro tempo, pela pressão constante e contra-ataques rápidos, permitiu ao Sporting equilibrar os pratos de uma balança com claro pendor para os Portistas. Assim, com alguma normalidade, o FC Porto consentia mais espaços a defender e oferecia menos discernimento no capítulo ofensivo mas sem nunca se vir em situação de perigo iminente, tendo, inclusivamente, criado também a melhor ocasião de golo da segunda-parte, novamente por Marega.

A partida viria a chegar ao fim com o nulo no marcador e, mais do que 1 ponto ganho foram, isso sim, 2 pontos perdidos, mas exibição só nos pode deixar satisfeitos. Seguimos lideres!

Destaques:

IN 

DOMÍNIO - A primeira parte portista remeteu um Sporting a cinzas, sem conseguir criar qualquer perigo a Iker. Chegou a ser deliciosa a forma como o FC Porto dominava todos momentos do jogo, a defender, a atacar, com bola e sem bola, pressionante e atrevido.

BRAHIMI - o argelino está no seu melhor momento de forma e isso é inegável. Quando saiu do terreno, saiu esgotado, mas até lá deu bem mostra de si. Fez um remate, enquadrado, dois passes para finalização e voltou a dominar nos dribles, com quatro certos em sete tentativas. 

OUT

FINALIZAÇÃO - Com tantas e tão boas oportunidades criadas, sobretudo no primeiro tempo, que nos permitiriam alcançar um resultado confortável os azuis e brancos pecaram e o nulo prevaleceu no final.

QUEBRA - A partir dos 20' do segundo tempo o FC Porto quebrou e deu-se o melhor momento do Sporting. Seria ótimo que uma equipa conseguisse manter durante 90' o nível que apresentou durante 45, mas tal não é possível. O jogo a que se prestaram os portistas foi extremamente desgastante, quebra física percebe-se.