Chegados que estamos ao início do campeonato, inicia-se também aqui, na Muralha Azul, a nova época. Para abrir as hostes, deixo já os meus desejos para o ano futebolístico que aí vem: espero que a próxima época seja sinónimo do regresso àquilo que até há quatro anos atrás era normal, ou seja, um Porto campeão, a jogar bem, de chama alta e a colocar no devido lugar aqueles que, nos últimos anos, tanto se têm tentado por em bicos de pés. Se possível, com uma boa campanha europeia. Penso que não seja pedir muito e tenho a certeza que é um desejo comum a todos os que seguem as opiniões deste espaço.

O campeonato 2017/18 está já aí e, com algumas semanas de trabalho, já se podem começar a fazer determinadas análises àquilo que vai dando mostras a equipa azul e branca. Os próximos dias aqui na Muralha servirão para analisar o FC Porto de Sérgio Conceição, o plantel portista e os seus reforços.
Comecemos, por isso, pelo FC Porto de Sérgio Conceição.
Para começar, devo dizer que para mim este FC Porto está a ser uma agradável surpresa. Estou a gostar bastante daquilo que vão mostrando os pupilos do treinador portista. É cedo, é verdade, e a pré-época não passa disso mesmo. Todos nós nos lembraremos de pré-temporadas que muito prometiam e que depois não passaram disso mesmo (o FC Porto de Paulo Fonseca - para mim, o exemplo mais gritante) e outras que não deixaram água na boca mas que deram origem a épocas brilhantes (o caso do FC Porto de Vilas-Boas). Quero com isto dizer que para já estão a reunir-se condições para que aguardemos a próxima época com boas expectativas, mas não podemos, isso sim, embandeirar em arco e julgar que vamos levar tudo na frente.
Perdoem-me aqueles que, ao contrário de mim, não ficaram surpreendidos com aquilo que tem demonstrado este FC Porto. Honestamente, não esperava uma equipa que proporcionasse um futebol tão atraente como aquele que tem tentado imprimir ao seu jogo. Aliás, as próprias declarações de Sérgio Conceição à revista "Dragões" convenceram-me disso mesmo: "Para mim, jogar bem é ganhar". Ora, esperava acima de tudo um FC Porto resultadista, que jogaria mais assente na garra e atitude do que propriamente na qualidade do seu futebol. Para já, redondamente enganado (e ainda bem).
As notas que retiro daquilo que foi possível observar até ao momento desta pré-temporada são as de um FC Porto de pendor bastante ofensivo, pressionante, que procura jogar pelo campo todo e em colocar muita gente em zona de finalização.

A pressão alta desta equipa é talvez o que salta mais à vista e algo que a mim muito me satisfaz. A necessidade de recuperar rapidamente a bola e de provocar o erro adversário é constante e tem sido um sinal mais até agora.
A importância dos laterais será reforçada na próxima época, com estes completamente lançados para o ataque a funcionarem quase como segundos extremos, libertando as asas da equipa para terrenos mais interiores ou aparecerem em zonas de finalização. Passa muito por aqui outra das grandes alterações no futebol praticado até ao momento: a de colocar muita gente em zona de finalização.
Relativamente a esta última, é algo que não vínhamos estando habituados nos últimos tempos, mas Sérgio Conceição está apostado a inverter esse indicador. Os jogos de pré-temporada têm mostrado um FC Porto a chegar-se à frente com muitos homens, a criar diferentes oportunidades para assistir e desequilibrar na área adversária o que, contra adversários fechadinhos como os que nos deparamos no futebol português será, com certeza, fundamental.
A isto soma-se ainda, uma equipa que se procura estender por todo o campo, ocupando as entrelinhas e construindo com rapidez e envolvência.
Lá atrás, na defesa, esta parece seguir a tendência positiva da época passada, ainda que com uma grande alteração na forma de defender. A grande projeção dos laterais da equipa faz recuar o médio mais defensivo que funciona como um terceiro central. A grande reação à perda e pressão alta é benéfica, mas pode representar um problema contra equipas que saibam circular rapidamente a bola, aproveitando os desequilíbrios que as zonas de pressão proporcionam a quem ataca.
Estes são aqueles que aponto como os indicadores essenciais que se vão vislumbrando no FC Porto de Sérgio Conceição.
Para terminar, passo a bola aos nossos leitores: Está esta equipa a surpreender no futebol apresentado? O que mais vos merece destaque no atual modelo de jogo do FC Porto? Deixem as vossas opiniões.